sábado, 10 de janeiro de 2009

Palavras dedicadas a todos os professores em luta!

As flores da minha infância viviam no meu quintal, nos quintais das vizinhas, no jardim da terra, nos canteiros da minha escola, nos campos dos piqueniques até ao longínquo horizonte do Alentejo.
Partilhámos o mesmo mundo, governado pela magia, numa existência comum: uma espécie de simbiose, transfiguradas elas numa realidade humana e imergindo eu na realidade delas, indiferenciados os nossos seres.
Vivificámos ousadas aventuras em espaços encantados, habitados por longínquas princesas com brincos de rainhas, por fadas com unhas de pétalas de malvas, por príncipes beijados por lábios cor de papoila. Meninas em vestidos brancos enfeitados de estrelícias sorriam encantadas com as amigas flores que palpitavam em misteriosas vibrações quando borboletas decoradas de arco-íris nelas pousavam docilmente.
Tivemos todo o tempo só para nós, para nos olharmos, por isso nos conhecíamos tão intimamente. Porque para conhecer é preciso olhar e para olhar é preciso tempo e se não temos tempo passamos ao lado das maravilhas do mundo, sem nos deliciarmos com elas, sem percebermos a sua beleza.
Trocámos generosas conversações sobre o mundo que nós éramos, seres livres e felizes, plantando sementes que germinavam numa explosão de fantasias.
Nas visitas assíduas das abelhas, elaborámos enigmáticos bailados, fascinantes actuações, em volta do centro da mais exuberante flor, a que continha o tesouro repleto das futuras sementes.
Hoje, tendo perdido a inocência virginal desse olhar, continuo a encontrar num campo revestido de flores, especialmente se forem margaridas, um mundo novo no meu mundo.
Na sua contemplação, sinto esse deslumbramento de outrora e volto a surpreender-me com as velhas personagens construídas e com a expressividade das nossas metáforas inventadas. Ao olhá-las continuo a ver nelas qualquer coisa de humano, de compreensivo, como se me estendessem as mãos traçando no ar palavras que me encorajam a enfrentar a crueldade e a injustiça do mundo lá fora. Palavras que me segredam artes mágicas para impedir que a violência e o terror espreitem o nosso mundo. Um mundo de harmonia entre os homens e a natureza, um mundo “governado” pela mais linda flor, a minha eleita, Margarida, a minha filha.
As flores plantadas no solo da minha memória, símbolos vivos na minha vida, personagens no palco da minha infância, embelezarão sempre o cenário da minha existência. Na partilha da imaginação, da fantasia, da descoberta e do sonho ofereceram-me mensagens de verdade, de optimismo, de confiança, de alegria e de protesto ou de luta.

2 comentários:

Sónia disse...

a cota ta kuase a fxr nos ahahaha

depois tem k pagar uma bebida :D sabe como é eheh

9 dias apenas :D

Professorinha disse...

A luta é eterna.. nunca desistir...

Fica bem